Estou no bar. Acendo um cigarro. Uma sombra cobre minha cerveja. Um skinhead enorme. Cada braço dava uns cinco meus. A respiração bem alta. Sorri canalhamente pra ele.
- Eu sei quem é você. -Ele me diz.
- Você sabe? Me conta então carinha. Tento descobrir isso há anos.
Ele tem uma raiva nos olhos.
- Você é um filho da puta. Um cretino. Um bastardo. Você não é aquele cara que dançava de quatro no palco? Não é você aquele metido? Tira essa porra de óculos escuros!
Eu estava morrendo de medo. Me cagando, sem dúvidas. Mas de jeito nenhum podia deixar ele saber disso. Ele não teria o gosto. Nenhum desses filhos da puta iriam me apavorar de novo. Não tenho mais quinze anos. Prefiro ficar esfolado a deixar esse escroto me dar medo. Não digo nada a ele.
Ele continua: Então seu filho da puta? É você não é? Sabe que vou quebrar sua cara. Sabe disso. Termina essa cerveja. Me acompanha. Hoje você perde esse sorriso.
Continuo imóvel. Sorrindo. Protegido pelos óculos escuros. Torcendo pra não ter o nariz quebrado antes de terminar o cigarro. Por falar em nariz, o desse cara tinha rastros do pozinho. O desgraçado teve que cheirar pra criar culhões pra me ameaçar.
Ouço barulho da sinuca rolando. Uns metros de distância. Acho que conheço quem ta jogando. Eles não viram pra salvar minha pele. Amigos não existem nessas horas.
O Careca-monstro acerta soca o balcão em que meus cotovelos estão apoiados. Perco minha pose na hora. Fico abalado. Boa parte da banca que criei foi por água abaixo. Não quero brigar. Não vou agüentar.
Ele pega minha garrafa de cerveja. Vira num gole. Ele não está raciocinando direito. Me olha torto.
- Você levou minha garota. Seu filho da puta. VOCÊ LEVOU MINHA GAROTA CARALHO!!
Lembrei do cara. Já sei quem é o desgraçado. Lembro da garota. Que guria. Que cochas. Solto uma gargalhada. Um soco vem em minha direção. Meus óculos. Minha pose. Minha banca. Sou agarrado pela jaqueta de couro. Lançado contra a mesa de sinuca. Sinto que derrubei uns caras com o corpo. Estou rindo ainda.
Acordo na calçada do bar. Tem sangue seco na minha testa, no meu nariz, no meu cu, talvez. O desgraçado era um covarde mesmo. Fugiu antes que eu pudesse reagir.
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