terça-feira, novembro 30

A boneca

Panorâmica duma praça, muitas de pessoas caminham, crianças de bicicleta, policiais de pistolas, velhos carregando a vida nas costas, a câmera para em um casal, travelling para se aproximar.

Ele (20) ela (15), caminham na praça, mãos dadas e carregando cervejas. Ela tem olhos enormes, magrinha e pequenina. Plano detalhe de seus olhos, são lindos, intensos. Vemos os olhos dele também, nada demais. Ele tem uma cara meio estúpida até, se é que caras são estúpidas.
Agora eles entram num banheiro. Se agarram selvagens. Mãos apertam bundas, ele corre os dedos pelo vestido em direção a vagina. Não encontra nada lá. Não nada, pele, só pele, sem boceta.
Ele: Cadê sua xoxota baby?
Ela explicou que fora uma cirurgia falha, ofereceu o cu. Ele aceitou, pensando “estou fodendo uma boneca, a porra duma boneca viva!”

Meses depois ela liga. Se diz grávida, conta que ele é o único que topou continuar, já está com barriga, não queria contar. Ele estranha, não entende, pede explicações e não recebe. Eles marcam de se encontrar.

Ela carrega o bebê,  ele estranha, mas acelera o passo em direção aquilo, vê enrolado no lençol um monte de merda com bracinhos, ela o encara com aquele olhos fantásticos.
Ela: Seu filho!
Ele corre de lá, passa por becos, pessoas e lixeiras, vomita por onde para. Não quer parar de andar. Tenta tirar a saia de uma mulher ver se outras tem boceta. Quase mata um bebê num carrinho. Foge da polícia. Chora. Vomita. Corre. Pede perdão. Corre. Vomita. Corre.

Ele abre os olhos. Está dentro dum estoque de loja. Milhões de manequins ao seu lado, em baixo, em cima. Ele olha pra uma em especial. Uma pelada, sem boceta, olhos selvagens. Ele dá um tapa na cara dela. Vai até o banheiro recolhe uma merda que bóia. Embrulha em um pouco de papel.
Sai cantando “nana neném”
Fade out

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