Ele anda de bicicleta. Pedala o mais rápido o possível. Vai contra o vento. Pedalamais e mais. Precisa fugir de algo, precisa chegar em algum lugar, mas não sabe onde, nem nada. O mundo se tornara tão confuso. Tudo tem dado trabalho nos últimos dias e ele só quer saber de pedalar.
Venta muito. Nuvens escurecem o mundo.
O sol se põe, ele está numa praia. O vento é forte e arrasta tudo. As pessoas voam para longe, carregadas pelos guardas-sóis. Ele continua pedalando mais... E mais... Sempre contra o vento.
Os pingos de chuva explodem contra o seu rosto. Pedala mais rápido mais... E mais...
O vento aumenta mais... e mais... arrasta as pessoas para longe do chão. Humanos sumindo no céu. Parece Magritti, se não fosse uma cena horrorosa.
O mar faz onda scada vez maiores. Ele só pedala, quer ir para longe daquele mundo, ir para longe das pessoas. O vento ajuda nisso.
Suas pernas doem, mas pedala sem parar, sem pensar. Vai contra o vento que varre toda a areia da praia. Não há pessoas por perto. Mesmo sozinho ele não para, pois, a confusão está em sua mente, não no ambiente. (mesmo o ambiente sendo bem confuso). Quer fugir de seus pensamentos. Pedala até sua mente parar, então pedala mais.
A chuva é violenta. Como o mundo tem parecido. Raios iluminam o céu escurecido pela tempestade. Ele sente vontade de ser atingido por um raio,perfeito pra parar com o cérebro.
O mundo visto daquela praia era tão terrível quanto qualquer outro lugar. Mas havia algo de hipnotizador.
Agora pedalava mas admirava o cenário.
Pedalou... Pedalou... E mais um pouco.... Pedalar estava difícil. A areia subia. Barreiras de areia. Grãos nos olhos.
POU!!!!
Um trovão? Caiu inconsciente. Bicicleta ainda andou alguns metros.
***
Acorda. Seus pensamentos, o vento, a chuva, raios, tudo silencioso. Tinha um galo na cabeça. Não foi um raio mas um guarda-sol qualquer que o salvou de sua mente.
Ergueu a bicicleta. Começou a caminhas, ainda sem destino, mas em paz. Sem montar a bike. Ainda não tinha muita certeza por onde, ou pra onde andava, mas não pensar já era um bom começo.
lembrança à cena da Mary Poppins - babás levadas pelo vento com seus guarda-chuvas pretos.
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