É nesse quarto branco que ele está. Jung diria que é sua sensação com a morte. Descrever com três palavras? Branco, sem portas ou janelas... Passou né? Bom, ele nunca foi bom em matemática mesmo. Ele fica olhando pro relógio no meio do quarto. Não tinha reparado no relógio? Olha agora. Sem número, sem diferença entre os ponteiros, inteiro branco também.
Está sonhando? Acordado? Vivo? Não sabe... Só sabe que uma voz sai do relógio. Uma voz mecânica que fala em outra língua, e não é nenhuma conhecida. Nem próximo disso. Algo muito estranho nesse quarto.
Como cheguei aqui? Pensa. Percebe que sua mente forma frases usando das palavras daquela língua do relógio. Sabe o que pensa, mas não compreende nada da estranha linguagem. Está no quarto branco, meio desesperado, meio certo de que é só um sonho.
Anda pelo quarto. Caí num canto. Chora. Se levanta. Grita por ajuda. Tenta quebrar o relógio. Tenta quebrar a parede. Tenta se quebrar. Falha em tudo. Desiste. Não chora mais.
Se concentra na voz mecânica. Agora percebe um chiado junto com voz. Um chiado constante que também já domina seus pensamentos. Tem um ritmo nesse chiado. Algo que entra na cabeça e não sai. Ele começa a entender alguma coisa.
“aqui você é um deus” “tudo que quiser é seu” isso que o relógio diz. Isso que o quarto quer dele. Gargalha. Se sente finalmente bem. Ri um riso maníaco, arranca sua roupa. Não percebe que seu ouvido sangra. Seu cérebro se esvazia no ritmo do relógio. As vozes que entram levam embora seu sangue, seu cérebro.
Cai morto no chão. O quarto branco agora está manchado de vermelho. Vá embora, não tem mais nada pra ver.
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