domingo, junho 12

What a swell party

Os garçons pararam de servir o brigadeiro. A melhor opção é cair fora. Ele sabe disso. Mas vai continuar.
A garota canta um punk rock mal tocado pela banda que acompanha. Isso é um outro sinal pra se mandar. Mas ele continua.
Hoje rola ir até o fim, só pra ver o que acontece.
Um cara toca gaita acompanhando a banda. É um engravatado. Advogado.  A sua acompanhante pede por mais gim. O garçom que usa máscara de porco diz que a hora está chegando.
Uma taça de vinho de sangue é servida pra ele. E é ele nosso personagem. Aquele cara com essa taça numa mão e um cigarro na outra. Apenas assistindo a festa.
Uma festa bem esquisita. Os personagens parecem ter saído dum filme daquele italiano. Esse cara não tem grana pra estar ali. Na verdade ele tem andado sem grana nenhuma. Acordou num quarto esquisito, saiu de lá e parou no salão.
Agora está rejeitando todos os sinais que gritam que é hora de vazar.
Ele vai se foder se continuar assim.
Uma gorda começa a dançar no meio do salão.
Ela tem uma metralhadora numa das mãos.
É... mais um sinal para tentar uma fuga.
Ele não vai fugir. Está fodido e sabe disso. Quer se afundar. Como quando você está dirigindo um carro contra um poste e só consegue acelerar. Ninguém devia lutar contra esse tipo de fatalidade.
Está pronto pra oque vai acontecer.
A banda sacou suas metralhadoras também. O advogado-gaitista tem um trinta-e-oito apontado pra própria cabeça.
Os garçons sacam estiletes do bolso de suas calças alugadas.
A hora chegou. Qualquer um que quisesse escapar devia ter feito antes. Um banho de sangue começa logo após a gorda gritar: liberdade para os animais.
O cara assiste. Não tenta matar nem fugir. Não há adrenalina em seu sangue. só um certo desprezo, os animais não matariam uns aos outros pela liberdade dele. Fazer o que. Não tem mais gim, os sinais não avisavam os motivos.
Não adianta lutar mesmo.
Uma bala atravessa toda a confusão e o acerta na cabeça. Logo ele, lá no cantinho. Nem pode ver quem mandou a mensagem.
Solta o corpo e cai.
Bate o carro contra o muro.
Se afoga no mar e tem consciência disso.
Não adianta se debater. Afinal, isso vai ser pelos animais.
Já tem sangue demais pelo chão.
É um sinal pra se mandar.

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