segunda-feira, maio 28

não significa nada mesmo


Ele olhou para os objetos espalhados na mesa e percebeu que já não significavam nada. Nunca significaram nada. Ele não sentia nada por nenhuma memória, ele percebeu que já estava vazio demais. Ele quis soltar uma lágrima por isso, não foi possível.
Ele saiu de casa calmamente e não olhou pra trás. Aquela casa não significava nada. ele viu um rosto conhecido que sorria ele desviou o caminho. Aquele sorriso não significava nada. ele foi andando sem conseguir pensar direito, porque não tinha nada pra pensar.
ele se lembrou das coisas espalhadas na mesa. As coisas que ele acumulou durante a vida. Seu passado inteiro estava na mesa, e o passado não significava nada. ele se lembrou disso sem dor, sem desprezo, sem raiva, sem alegria, ele se lembrou disso porque seu cérebro mantinha as memórias apesar das memórias não significarem nada.
Ele não sabia descrever como se sentia e não parava de andar, ele não tinha vontade de andar, mas não queria parar, parar não significa nada. Continuar também não. então andar sem destino era a melhor forma de  fazer algum sentido.
Ele ouviu seu nome, ou pelo menos o nome que julgava ser seu, e aquele nome não significou nada. ele calculou que a cada passo as coisas significam menos, é como se a sua vida ficasse embaçada. Ele não sabe como se sentiu ao perceber que perdia a vida.
Ele estava em boa forma e andou vinte quilômetros antes de desmaiar de desidratação.
Desmaiar não significa muita coisa.
O dia era quente e ele estava sozinho.
Sozinho sem nenhum estranho por perto.
Ele desmaiou e não quis acordar. Ele desmaiou e resolveu ficar por lá. Ele sabia que era questão de tempo até sumir, mas sumir não significa nada mesmo.

Um comentário:

  1. "So empty, so empty, so empty, so empty... A big chunk of what I was is gone..."

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