Ele olhou para os objetos espalhados na mesa e percebeu que
já não significavam nada. Nunca significaram nada. Ele não sentia nada por
nenhuma memória, ele percebeu que já estava vazio demais. Ele quis soltar uma
lágrima por isso, não foi possível.
Ele saiu de casa calmamente e não olhou pra trás. Aquela casa
não significava nada. ele viu um rosto conhecido que sorria ele desviou o
caminho. Aquele sorriso não significava nada. ele foi andando sem conseguir
pensar direito, porque não tinha nada pra pensar.
ele se lembrou das coisas espalhadas na mesa. As coisas que
ele acumulou durante a vida. Seu passado inteiro estava na mesa, e o passado
não significava nada. ele se lembrou disso sem dor, sem desprezo, sem raiva,
sem alegria, ele se lembrou disso porque seu cérebro mantinha as memórias
apesar das memórias não significarem nada.
Ele não sabia descrever como se sentia e não parava de andar,
ele não tinha vontade de andar, mas não queria parar, parar não significa nada.
Continuar também não. então andar sem destino era a melhor forma de fazer algum sentido.
Ele ouviu seu nome, ou pelo menos o nome que julgava ser
seu, e aquele nome não significou nada. ele calculou que a cada passo as coisas
significam menos, é como se a sua vida ficasse embaçada. Ele não sabe como se
sentiu ao perceber que perdia a vida.
Ele estava em boa forma e andou vinte quilômetros antes de desmaiar
de desidratação.
Desmaiar não significa muita coisa.
O dia era quente e ele estava sozinho.
Sozinho sem nenhum estranho por perto.
Ele desmaiou e não quis acordar. Ele desmaiou e resolveu
ficar por lá. Ele sabia que era questão de tempo até sumir, mas sumir não
significa nada mesmo.
"So empty, so empty, so empty, so empty... A big chunk of what I was is gone..."
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