Ele andava de bicicleta. Pedalava o mais rápido o possível. Ia contra o vento. Pedalava cada vez mais e mais. Ele precisava fugir de algo, precisava chegar em algum lugar, mas não havia muita certeza de nada em sua mente. O mundo se tornara tão confuso. Tudo dava tanto trabalho nos últimos dias e ele só queria pedalar. Ventava muito forte. As nuvens se formavam escurecendo o céu.
Era fim de tarde, ele chegou à praia. As pessoas voavam para longe, carregadas pelos guardas-sóis. Ele continuava a pedalar mais e mais, sempre contra o vento e os pingos de chuva batiam forte contra o seu rosto. A chuva aumentava mais e mais. O vento aumentava mais e mais, arrastando as pessoas para longe do chão. O mar fazia ondas cada vez mais fortes, cada vez maiores. Ele só queria pedalar, ir para longe daquele mundo, ir para longe das pessoas.
Suas pernas já doiam, mas ele pedalava cada vez mais. Ele ia contra o vento que varria toda a areia da praia. As pessoas já haviam voado para longe. Mesmo sozinho ele não parava, pois, a confusão estava em sua mente. Ele queria fugir de seus pensamentos. Ele precisava pedalar até sua mente parar de imaginar, então ele pedalava mais. A chuva já era bem forte e no oceano apareciam relâmpagos enormes. Ele pensou em ser atingido por um raio, seria ideal para parar de pensar. Os raios faziam muito barulho. As ondas faziam muito barulho. O pedal girando rangia um barulho quase alto. A chuva fazia muito barulho.
Ele pedalou, pedalou, pedalou. Chegou em algum lugar onde o vento erguia a areia formando quase muros. Pedalar ficava cada vez mais difícil. O vento era cada vez maior. Ele ouviu um grande barulho, algo como um raio. Ele desmaiou.
Quando acordou o vento parara. A chuva parara. O mar estava mais calmo. Seus pensamentos pararam. O pedalar parou. Tudo estava quieto. Estava escuro. Ele tinha um galo na cabeça. Não fora um raio mas sim um guarda-sol voador que o acertara, que o fez parar de pensar. Ele ergueu a bicicleta e começou a andar para a casa, mas ele ainda não tinha muita certeza por onde andava, nem pra onde ia, mas não pensar já era um bom começo.
É, eu ia dizer que quando a gente para de pensar, é porque está na hora de morrer, mas acho que o guarda sol já avisou ele ;)
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