sexta-feira, setembro 24
Como conhecer a realidade.
Enche um copo de água. Bebe com pressa. Esse dia tem sido muito esquisito. Primeiro aquele anão. Que anão esquisito. Encheu o copo de novo. Ficou pensando naquele anão. Descia uma rua quando cruzou o anão pelado correndo a trás de uma gorda. Jogou a gorda no chão, começou bater a cabeça dela contra a guia. Até sangrar. Cérebro na calçada. Sempre tem um cérebro na calçada. As cinco da manhã.
O centro da cidade é mais bizarro ao nascer do sol.
Senta na cama. Olha seu cachorro. Cachorro mais triste. Não tem comida hoje. Depois do anão passou um elefante na avenida. Devia ser de algum circo. Mas na avenida deserta passou um elefante. A cidade é muito louca de madrugada.
Estava do lado de uma igreja quando viu o elefante. Sentou na escadaria. Precisava digerir a morte da gorda e a passagem do paquiderme.
Vomitou na escada sagrada.
A vida passando.
O sol nascendo.
Os anões matando.
Os Elefantes passeando.
Ele vomitando.
Já em casa pensa em tudo isso. O cachorro precisa de comida. Ele vai acabar me devorando se não alimentá-lo . Devia ter pego um pedaço da gorda. Dava um bom bife. Ou caçar o elefante na avenida deserta. Seria uma cena épica. Digno de um bom cineasta. Talvez uma coisa do Lynch.
Ficou lá na cama. Pensando em si vomitando na igreja. Um padre apareceu. Devia estar enlouquecido pela madrugada, por que começou a chutá-lo pra longe do terreno sagrado. Gritava palavras em latim. Cena épica. Até o Kubrik filmaria.
Será que estou enlouquecendo? Pensou. Isso tudo aconteceu? Lembrou do anãozinho carregando uma perna gorda assada. O cachorro precisa comer. Talvez uma carne de elefante. Ou de padre. Preciso caçar!
Levanta. Bebe mais água. Põe um filme na TV. Eraserhead. Lynch de novo. Estava enlouquecendo. O mundo estava enlouquecendo. A madrugada na avenida é ser escurraçado por padres e aceito pelo Mc Donald’s. Ah é. Foi pro mc Donald’s aquilo é esquisito por natureza. Ficou uma meia hora encarando o atendente.
- O que você quer senhor?
-....
- Responda senhor.
- PRECISO DE CARNE DE ELEFANTE!
O atendente deu um saco marrom. Ele pagou (mastercard) e foi embora. O mundo anda muito estranho. Não deviam vender elefantes pra qualquer um. Começou comendo as batatas.
Mas que merda de mundo. Andava pela casa. O cachorro atrás. No bolso, um resto de lanche de elefante. Jogou pro cachorro. O animalzinho devorou rápido.
Pegou um martelo. Bebeu água. Mc Donald. Segurou o martelo firme. Elefantes. Anões assassinos. O cachorrinho comendo elefantes. Maldições em latim na escadaria sacra. Crânio do cachorro perfurado. Martelo é rápido. Cérebro espalhado na cozinha. O cérebro sempre espalha.
Ninguém filmou nada. O cachorro assa no forno. Esse mundo é muito esquisito. Na TV aquela dança do filme. Sonhara com aquela dança várias noites. Só agora fazia sentido. Mas que mundinho esquisito. Melhor não passear mais antes do sol ter nascido.
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