Umas palmeiras, uma piscina no meio, pessoas em meio à água. Umas vozes comentam sobre como vive tal jogador, outras sobre como é feia a última que saiu do reality show. Crianças gritam e matam umas as outras num jogo de afogamento. Uns caras estão falando de um possível gay que nada. A trás desses caras está ela. Que é o que interessa.
Linda como uma explosão de um prédio, ela lê um livro azul. O personagem está enlouquecendo, ela está enlouquecendo, pelo menos assim acredita, todos estão enlouquecendo, filosofa.
Ela vê aquele cenário e não quer participar. Quer sair daquele mundo. Não consegue entender os diálogos, são sem sentido, sem noção. Todos são loucos que repetem frases sem nexo. Sem sexo, apesar de às vezes pornográficas. Se vê analisando tudo aquilo. Como se fosse melhor. Não é. Mas esse é seu problema, sabe que não há nada de especial com as pessoas e também não consegue entender por que lutar por tanta besteira. Por um tantinho de vida.
O porre das outras pessoas não tem beleza.
A babá passeando com os filhos dos homens não tem beleza, ou tem.
Os pensamentos em sua cabea são confusos.
Não há lógica no mundo. Não há lógica no cérebro.
A demolição de um edifício tem beleza
O livro termina, o último suspiro e a loucura do personagem. O mundo não termina. Ela sabe disso. Uma criança bate contra um bebedouro. Faz barulho. Sem ritmo. Com beleza. Sem beleza. Ela se sabe bonita, mas não quer que os outros saibam. Não vê beleza na beleza. O guri continua. As vozes continuam. Na água crianças mortas vivem, na terra pessoas vivas morrem. Só loucura se encontra no mundo.
Ela grita. Grita de medo e de ódio. Grita até a voz acabar, o menino parar, e o som apagar. Depois disso se joga na água. Cai como a demolição que acha tão bela. Cai esperando que depois só sobre destroços.
Volta pra respirar. O gay foi devorado pelos futeboleiros e as mães mataram as crianças, as babás se afogaram na privada. A água é vermelha. E o mundo está recuperando a lucidez. Ou, quem sabe, ficou louco de vez.
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