-não.. E nem sei porque me perguntam isso.
- falam por aí que você anda declamando uns poemas, e dizendo umas pornografias pras garotas.
- isso até que pode ser verdade, mas isso não me transforma em escritor...
-o quê transforma?
- conseguir comer as garotas que ouvem minha pornografia.
- disseram que você era pervertido também.
-te avisaram bastante, ninguém me avisou que você era um babaca.
Um riso cínico estava na boca dos dois. A música do show não ouvida por nenhum deles. Só ouviam suas vozes e seus pensamentos tentando bolar boas falas para esse duelo.
- bom, me avisaram mal, porque ninguém falou que você seria tão arrogante.
- não é arrogância, é seleção, só converso com gente que eu consiga estabelecer uma relação de dominação, se não, não vale a pica.
- não vale a pica é uma boa expressão.
- é... Talvez eu seja um escritor.
-você vai declamar um poema hoje?
- hoje é dia de rock, um bom rock supera qualquer poesia.
-tá aí uma frase boa.. Tu devia escrever ela.
- escreve você.
Ele arranca a caneta e oferece pro inimigo que a pega com receio e escreve a frase demoradamente numa das paredes do bar. Quando põe o ponto final saca sua arma e atira no escritor.
Cospe no quase-morto.
Pisa nas bolas.
- você não devia falar pornografias por aí. É coisa de gente indecente.
Mais um tiro e tudo está acabado.
Os outros nem percebem.
As cortinas fecham.
As luzes se apagam.
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