sexta-feira, maio 27

Philosophy of the world

Estou desenhando uns fetos nesse caderno velho. Ando meio pirado nessa imagem de fetos, deve ter a ver com a TV. A TV vive fazendo isso comigo. Pondo fetos na minha mente. Uma garota se alonga e dança balé, é realmente uma cena bonita. Esse cara tira umas notas desafinadas dum saxofone prateado. Estamos os três no mesmo quarto esfumaçado.
- sabe o que ele me fez.
A bailarina parou de dançar e se alongar e veio falar isso. Pra mim. Não, não sei o que ele fez.
- ele pegou esse saxofone, me agarrou, e me enfiou no cu... no meu cu você acredita?
O sax para. Eu olho pra cara com desinteresse, apesar de ficar pensando no gosto de merda que ele sente.
- eu queria ver que nota que saía com o peido dela...
- olha que filhodaputa....que nota saía... cusão... enfiasse no seu....
Volto pro meu desenho. Mas a curiosidade aperta.
- que nota foi?
- um lá.
- um sol.
Os dois respondem juntos. Tem algo de errado nessa história. Um sol e um lá são notas diferentes. Próximas na escala, mas diferentes. Começo a desconfiar daquela situação. Inclusive ainda não sei que quarto é esse, nem como parei aqui. Bom hora de preparar a saída.
- um sol ou um lá? Pergunto.
- sol. Responde o cara.
A bailarina está quieta. Como se a corda acabasse. O sax volta a rolar, baixinho, em sol.
Termino meu feto. Meu bebê. Minha criação. Os outros apaguei, ficou só um. Dentro de um pote de hell man’s, segurando um buquê de rosas. Um bom desenho. Arranco a página do caderno e colo com cuspe na parede.
A bailarina voltou a dançar. Agora tentando acertar a melodia. O cara toca rápido o sax peidado. Me levanto da cama e me  mando.
Assim que fecho a porta ouço gritos da garota. Depois um dó estranho vindo do sax. Já estou longe, mas ainda escuto algo sobre sangue. Melhor apertar o passo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário