segunda-feira, dezembro 14

Insonia.

Há pessoas andando pelo telhado, e graças aos passos eu não consigo durmir. Três ou quatro da madrugada. A chuva bate na janela, e as pessoas andam sobre o teto. Devem ser gatos fornicando. Quem sabe? Eu só queria dormir.
Me levanto e vou até a janela. Respiro perto do vidro, espero as pessoas do teto pularem, quebrarem a janela e me matarem. Tiros iam ser sem graça. Talvez facadas deixariam o quarto sujo de sangue, os cacos de vidro ficariam vermelhos. Mas eles não descem. O vidro da janela não se quebra, só fica embaçado com minha respiração. O sangue não escorre.
Tem um prédio a umas três ou quatro quadras. Ele tem as luzes acesas que vão se apagando aos poucos. As luzes são apagadas enquanto espero os amantes do teto me matarem, as luzes apagam, e apagam, e apagam. Só uma fica acesa, é uma luz vermelha, o céu está vermelho, na verdade laranja. A juz da janela do prédio é mais pra laranja também e lá deve ter alguém acordado, andando sob o teto de outro.
Os gatos assassinos param de andar. Eu me deito na cama esperando que eles venham. Mas eles só estão afim de me torturar, parece que hoje não vão me matar. Eu queria descobrir que andar fica a luz acesa, onde há gente iluminada. É no quinto andar, ou por aí.
A chuva pára, e cai, pára, e cai, cai e diminui, agora tem poucas gotas por segundo. A chuva molha os telhados, daqui e dos prédio. A chuva molha as pessoas que andam pelos tetos. Molham meus assassinos que estão em silêncio, quietos e molhados eles vão desistir. Mas eu não vou dormir. Eu nunca durmo, por que eu sei que eles querem me matar, e eu quero estar acordado. Elas vão embora hoje, mas voltarão na proxima chuva. E eu não vou dormir.

Nenhum comentário:

Postar um comentário