terça-feira, fevereiro 19

qual era o motivo daquilo mesmo?


quando foi que eu me tranquei aqui mesmo?
uns dias, umas horas, não faço ideia.
você não tem noção de como o tempo não passa quando todos os relógios estão parados.
porque foi que eu me tranquei aqui mesmo?
pra fugir, me esconder, me encontrar
ou será que me trancaram?
a gente começa a duvidar da honestidade das nossa ações quando só temos nós como companhia.
nós sou eu.
nós somos eu.
eu queria só saber o motivo e tempo exatos.
pra exclamar para mim mesmo,
ah é, por isso...
talvez seja hora de abrir a porta.
mas eu esqueci.
ou melhor, devo ter esquecido, já que posso ter sido trancado e aí esqueceram de mim.
posso estar preso injustamente e esquecido burocráticamente.
será que eu fui espancado?
porque os relógios estão parados e as janelas vedadas?
porque eu não tenho mais dia nem noite e isso nem me incomoda?
onde é aqui mesmo?
e se eu abrir a porta agora mesmo e virar pro primeiro rosto que eu ver e disser: saí.
sem perguntas, sem explicações, só: saí, com um sorriso orgulhoso no rosto. como se agora eu merecesse estar fora.
afinal fiquei trancado por tempo suficiente.
só que como eu vou ter certeza do tempo?
se eu ficar mais tempo do que preciso pode ser que esqueçam de mim lá fora.
e quando eu sair ninguém vai saber de onde.
espera...
se eu não sei mais os motivos, é bem capaz que todos já tenham esquecido.
então mesmo eu sendo um criminoso foragido, ou uma vítima perseguida, eu posso sair e ninguém vai me reconhecer.
...
mas e se a minha memória for mais fraca que a dos outros?
pra que que eu quero sair mesmo?
quem disse que lá fora vai ter algo melhor?
aqui eu já tenho eu
e
eu
e
eu
e nós.
e estamos bem. nos conhecemos bem. e vivemos bem.
porque estamos aqui.
e juntos.
e lá fora todos estão separados porque tem muito espaço e relógios que funcionam...
eles tem horas enquanto nós, eu, tenho todo tempo do mundo
pra descobri
porque eu to aqui mesmo?

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